
Os dias têm crescido, a tarde se prolonga até altas horas, que antes seriam da noite. Porém chove e a escuridão toma conta do céu azul tornando-o cinzento e sombrio. Também me sinto assim... Cinzenta, sombria demasiado escura para alguém da minha idade.
Em dias como este seria normal pensar em ti; mas para quê? Cansei-me de imaginar um “como seria?”. De te sentir em pensamento perto de mim, de desejar o calor do teu corpo junto do meu. Se calhar não me mereces, se calhar não te mereço! Quem saberá?
Gostava de saber, e pergunto-me até várias vezes, se serás feliz. Se essa vidinha que escolheste para ti te realiza completamente. Se o esperar por quem tarda te traz alguma forma de satisfação. Estranha forma de vida a tua que tão estranha faz ser a minha.
Sentada nesta cadeira de palha, com a paisagem escura como fundo; sinto mesmo que preciso me livrar de ti. A tua sombra ainda me persegue e apesar de eu achar que desta vez será diferente… tenho para mim que não o é… quem sabe apenas uma outra fase, repetida mas mais uma fase.
Precisava de sair daqui por uns tempos, de dar uma pausa a mim mesma, ao meu viver. O continuar neste lugar faz-me sentir presa a uma realidade que já há muito deveria ter sido esquecida e quem sabe substituída por outra. Dou-me demais às coisas, não tenho a mínima dúvida.
Sinto-me sufocar por vezes mas mesmo perdida continuo com a esperança de encontrar um rumo, um lugar meu, um lugar para mim. Percebo que já não te quero mas continuo a amar-te, a precisar de ti, a necessitar de ansiar por um minuto que seja… quem sabe um dia me liberte deste sentimento.
Estranho ser o humano que… nasce sem pedir, vive sem saber… e morre sem querer!
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