quinta-feira, 21 de maio de 2009

Será que vale a pena??

Porque hoje não me apetece escrever, e nada mais tenho a lamentar desta vida vã que se apodera cada vez mais de mim, partilho neste meu canto um relato único da verdadeira perda de tempo que é existir. E infelizmente, não tenho dúvidas que muitos de vós ou já pensam ou acabarão por pensar como eu.

Tu Que Me Cuidas
O que vês - “tu que me cuidas” – o que vês?
Quando me olhas, o que pensas?
“Uma velha rabugenta, um pouco doida.
Olhar perdido, que já não está aqui”
Que se baba quando come e que não te responde.
Que quando dizes com voz forte – Faça um esforço, despache-se!
Parece não prestar atenção ao que tu fazes.
E não pára de perder os sapatos e as meias.
E que dócil, ou não, te deixa fazer o que tu queres:
- O banho, as refeições, para ocupar o longo dia cinzento…

É isso que pensas, é isso que vês?
Então abre os olhos, que essa não sou eu.
Vou dizer-te quem sou, muito calma ali sentada,
Caminhando às tuas ordens, comendo quando queres.
Sou a mais nova de 10 irmãos, com um Pai e uma Mãe,
Com irmãos e irmãs que se amam entre si.
Uma jovem de 16 anos, com asas nos pés,
Sonhando em breve encontrar o seu noivo!
Casada aos 20 anos: “O coração transborda de alegria,
Ao recordar os votos que fiz nesse dia”.

Agora tenho 25 anos e um filho,
Que precisa de mim para lhe dar um lar.
Uma mulher de 30 anos! O meu filho cresce depressa.
Estamos ligados um ao outro por laços eternos.
Quarenta anos! Em breve ele não estará aqui,
Mas o meu marido está ao meu lado e protege-me.

Cinquenta anos! Brincam de novo bebés à minha volta:
De novo com crianças, eu e o meu bem-amado.
Mas chegam os dias escuros e o meu marido morre

Olho o futuro, tremendo de medo,
Porque os meus filhos estão ocupados a cuidar dos seus,
E penso nos anos e no amor que conheci.

Agora estou velha, a natureza é cruel,
Diverte-se a fazer passar a velhice por loucura.
O corpo desfalece, a graça e a força abandonam-me.
Existe uma pedra onde habitou um coração…
Mas dentro desta valha carcaça, a jovem permanece
Com um velho coração que bate sem descanso.

Recordo as alegrias…recordo as dificuldades.
E sinto de novo a vida…e amo.
Relembro os anos tão breves num ápice passados
E aceito a verdade implacável de que nada é eterno.

Então abre os olhos – “Tu que me cuidas” – e olha…
Não a velha rabugenta!
Olha melhor e verás quem sou!..

Traduzido e adaptado de um texto extraído de um boletim da Caritas – Genebra.
(Este poema foi encontrado entre os pertences de uma idosa irlandesa, após a sua morte)

Não tem explicação...









Os dias têm crescido, a tarde se prolonga até altas horas, que antes seriam da noite. Porém chove e a escuridão toma conta do céu azul tornando-o cinzento e sombrio. Também me sinto assim... Cinzenta, sombria demasiado escura para alguém da minha idade.




Em dias como este seria normal pensar em ti; mas para quê? Cansei-me de imaginar um “como seria?”. De te sentir em pensamento perto de mim, de desejar o calor do teu corpo junto do meu. Se calhar não me mereces, se calhar não te mereço! Quem saberá?




Gostava de saber, e pergunto-me até várias vezes, se serás feliz. Se essa vidinha que escolheste para ti te realiza completamente. Se o esperar por quem tarda te traz alguma forma de satisfação. Estranha forma de vida a tua que tão estranha faz ser a minha.




Sentada nesta cadeira de palha, com a paisagem escura como fundo; sinto mesmo que preciso me livrar de ti. A tua sombra ainda me persegue e apesar de eu achar que desta vez será diferente… tenho para mim que não o é… quem sabe apenas uma outra fase, repetida mas mais uma fase.




Precisava de sair daqui por uns tempos, de dar uma pausa a mim mesma, ao meu viver. O continuar neste lugar faz-me sentir presa a uma realidade que já há muito deveria ter sido esquecida e quem sabe substituída por outra. Dou-me demais às coisas, não tenho a mínima dúvida.




Sinto-me sufocar por vezes mas mesmo perdida continuo com a esperança de encontrar um rumo, um lugar meu, um lugar para mim. Percebo que já não te quero mas continuo a amar-te, a precisar de ti, a necessitar de ansiar por um minuto que seja… quem sabe um dia me liberte deste sentimento.




Estranho ser o humano que… nasce sem pedir, vive sem saber… e morre sem querer!

Olho grande em mim não pega!


Vou acender velas para São Jorge

A ele eu quero agradecer

E vou plantar comigo-ninguém-pode]

Para que o mal não possa então vencer

Olho grande em mim não pega

Não pega não

Não pega em quem tem fé

No coração

Ogum com sua espada

Sua capa encarnada

Me dá sempre proteção

Quem vai pela boa estrada

No fim dessa caminhada

Encontra em Deus perdão